É impressionante como as cidades brasileiras não estão preparadas e nunca são preparadas para as chuvas. Qualquer chuva. Mudanças climáticas, El Niño, El Niña à parte, quando chove o caos se instala. Todo ano é a mesma coisa. Choveu, caem casas, morre gente, ruas alagadas, mobilização popular para ajudar desabrigados. Todos reclamam, ficam indignados, contam prejúizos. Estradas já esburacadas durante as quatro estações, desabam. Pontes são levadas por rios. As ruas urbanas esburacam de vez. Os buracos que nos acostumamos a desviar se transformam em crateras, verdadeiras armadilhas onde todos caímos pelo menos uma vez. O ideal será tirar a carteira de habilitação na Lua. Motoristas de ônibus com curso na NASA. Carros anfíbios. Aliás as ruas foram invadidas por utilitários (antes apenas "pick-ups") para enfrentar as trilhas instaladas no lugar das vias.
Basta parar de chover e tudo vai por água a baixo na memória. É como se aceitássemos esse fato como algo inevitável. Mas é. Eu seria capaz de apostar como tem gente ganhando dinheiro com essa falta de planejamento. Ou melhor, deve haver aqueles que projetam seus fluxos de caixa contando com a chuva do ano que vem. As chamadas operações "tapa-buracos" são verdadeiras piadas de mau gosto. Após uma cratera fazer muitas e muitas vítimas, aparece um caminhão todo sujo e joga uma pasta, que até asfalto deve ter. Mas é asfalto frio e no próximo ônibus ele rebaixa para depois ser arrancado por algum outro. Todos vêem a ridícula espessura da pista. Óbvio que não vai durar muito. Mas é óbvio que não deve interessar ao poder público que esse asfalto dure. Afinal, tem aquela história de fluxo de caixa projetado... Tapar buraco é um excelente negócio.
Mano Jone
domingo, 17 de maio de 2009
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