A sala estava cuidadosamente arrumada. Os cristais foram limpos e os livros e quadros alinhados com paciência e esmero. A percepção do tempo se desfez por várias horas. Ora Chopin, ora Beethoven preenchiam todos os espaços e os deixavam limpos também. Às vezes era possível esboçar um sorriso gostoso vendo os passarinhos pousando na janela e dando rasantes no jardim.
A campainha soou. Quem seria? Ele ou ela? Ao abrir a porta um esguio corpo portava um lindo traje de linho branco. Serviu-se a refeição com serviço completo enquanto um Château Lafitte emoldurava emoções não esboçadas. Nenhuma palavra interrompeu os Noturnos e as Sonatas. Ambos sabiam que o tempo estava voltando a fazer diferença. Nada mais a esperar.
A porta ficou entreaberta. Sobre o tapete estendia-se aquele para o qual o tempo não mais fazia diferença. Gymnopedie ainda enchia a sala e os passarinhos ainda continuavam pousando na janela.
Mano Jone
Ouça Gymnopedie Nº 1:
sábado, 28 de novembro de 2009
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